terça-feira, 8 de maio de 2018

Milão: Porta Ticinese Antica, Colonne di San Lorenzo, Santa Maria presso San Satiro e Duomo

16/12/2016 - Parte 2

Porta Medieval, Colunas do Império Romano, Igrejas Renascentistas e o Duomo

Saindo da Basilica de Santa Maria delle Grazie, onde visitamos o Cenacolo Vinciano, pegamos o ônibus linha 94, ainda usando os mesmos bilhetes de 24h, rumo às Colonne di San Lorenzo.


Descemos no ponto Colonne di San Lorenzo, passava um pouco das 11h e resolvemos parar para um gelato na Grom, considerado um dos melhores de Milão. Aprovada, o gelato é realmente delicioso. 



A Grom fica em frente à Porta Ticinese Antica.



Muitas cidades da Europa eram cercadas por muralhas, para se proteger contra possíveis invasores, e em alguns pontos das muralhas, eram construídas portas, que serviam como entrada e saída da cidade, e também locais para coletar impostos.

Ao longo da sua história, foram construídas três muralhas ao redor de Milão. A primeira foi na época do Império Romano, em 49 a.C. As portas dessa muralha eram de madeira, e foram completamente destruídas quando Milão foi invadida por Federico Barbarossa, em 1162.

A segunda muralha foi construída na época medieval, e possuía 6 portas, duas das quais ainda existem: Porta Nuova (Medieval) e Porta Ticinese (também referenciada como Porta Ticinese Antica).

E por fim, no século XVI foi construída a muralha espanhola, que alargou as fronteiras da cidade e acrescentou novas portas. Na ocasião da invasão da Itália por Napoleão, ele mandou reconstruir as portas da muralha espanhola de forma mais monumental, mais ao seu gosto.

A porta que visitamos foi a Porta Ticinese Antica, construída na época medieval.


Passando pela porta, saímos em frente às Colonne di San Lorenzo, que são 16 colunas feitas de mármore, medindo 7,5m de altura, trazidas de algum edifício romano do Séc. II ou III d.C, provavelmente um templo. Essas colunas foram transportadas a Milão no Sec. IV d.C.



Em frente às colunas, encontra-se a Basilica di San Lorenzo Maggiore, uma das igrejas mais antigas de Milão. O edifício construído no Sec. IV ou V d.C. é um dos mais relevantes na história da arquitetura ocidental, por ser o primeiro de planta central do ocidente.

A San Lorenzo Maggiore passou por vários desastres como incêndios e terremotos, tendo que ser reconstruída por duas vezes, porém isso não alterou sua planta original, que consiste em uma sala quadrada aberta, com 24m de lado, rodeada por um corredor contínuo contendo galerias.





Seguindo a pé mais um pouco pela Corso di Porta Ticinese, chegamos à esquina com a Via Gian Giacomo Mora, onde podemos observar um monumento em memória de um triste episódio ocorrido em Milão. Em 1630, durante o período em que esteve sob o domínio espanhol, Milão foi assolada por uma terrível Peste. Todos estavam apavorados, não se sabia o que causava a Peste, nem como curá-la, e quase metade da população acabou morrendo. Nesse contexto de medo e superstições, espalhou-se o boato de que a Peste era causada por fluidos que estavam sendo espalhados propositalmente por algumas pessoas. Uma mulher afirmou que viu um agente de saúde espalhar a peste. Ele foi preso e, sob tortura, acusou o barbeiro Gian Giacomo Mora de lhe entregar os unguentos que espalhou. Ambos confessaram o crime sob tortura, e foram condenados a uma morte bárbara. A barbearia de Gian Giácomo foi demolida, e no local em que ela ficava foi erguida uma coluna de granito, conhecida como Colonna Infame, contendo uma lápide contando a história, para servir de exemplo para a população.





A coluna foi destruída em 1778, e em 2005, em seu local, foi colocada uma escultura em bronze em memória dos fatos. A escultura representa o contorno da coluna, e é acompanhada de uma placa com uma breve descrição da história.

FOTO: Andrea Pinacci


Continuamos seguindo pela Corso di Porta Ticinese até o ponto Carrobio, onde pegamos o bonde com destino à Piazza del Duomo, sempre utilizando os nossos bilhetes de 24h.


Descemos no ponto Duomo e fomos conhecer a Basilica di Santa Maria presso San Satiro, na Via Torino. O que chama atenção nessa igreja projetada por Bramante, um dos grandes arquitetos renascentistas, é a ilusão de ótica criada pelo arquiteto. Bramante queria fazer um projeto em forma de cruz grega, mas isso não foi possível, porque não havia espaço suficiente. Sendo assim, ele fez um projeto em forma de T, e criou essa ilusão de ótica. Vejam nas fotos.


Quando olhamos de frente, temos a impressão de que existe uma grande ala atras do altar, como vemos na foto acima.


Somente quando nos posicionamos na lateral do altar, podemos perceber que se trata de ilusão de ótica, e essa área possui pouco mais de 1m. O mesmo efeito foi usado na cúpula, que passa a impressão de ser bem mais alta do que é na realidade.




Após a visita, atravessamos a Piazza del Duomo para almoçar no Signorvino, uma adega e restaurante localizada atrás da catedral.

Após o almoço passeamos um pouco pela praça, esse dia era um sábado e estava acontecendo uma feirinha de Natal ao lado da igreja.





Uma curiosidade: se você estiver na praça do Duomo, preste atenção nas colunas que ficam ao lado da segunda entrada do metrô à esquerda da entrada principal da Galeria Vittorio Emanuele II.


Você vai encontrar duas setas pintadas na coluna. Essas setas indicavam as entradas para os abrigos subterrâneos usados pela população na Segunda Guerra Mundial. Existem vários em Milão.


Antes de iniciar nossa visita ao interior do Duomo, demos uma volta completa na igreja, para contemplar seu belíssimo exterior. Infelizmente, esse dia estava muito nublado, o que prejudicou um pouco as fotos.

A construção do Duomo foi iniciada em 1386 e levou 400 anos pra ser concluída. Em estilo gótico, essa é a terceira maior igreja da Europa, medindo 157m de comprimento, 109m de largura e 45m de altura (máxima).


A fachada é toda em placas de mármore branco-rosa. Possui 2.300 estátuas na parte externa.


O Duomo possui planta em formato de cruz latina, com uma abside poligonal. A abside possui três grandes janelas tornando seu interior iluminado, ao contrário do resto da catedral, que conta somente com janelas altas e estreitas.





Ainda na fachada, sugiro atenção especial para as portas de bronze com trabalho em relevo.


Infelizmente, aqui também vemos as marcas da guerra. Por sorte, a catedral não foi diretamente bombardeada (um boato diz que foi devido a um acordo feito entre o cardeal de Milão e os ingleses), porém o resto da praça e arredores foram completamente destruídos pelos bombardeios de agosto de 1943, incluindo a Galeria Vittorio Emanuele II e o teatro Scala. Os estilhaços das bombas acabaram por atingir partes da catedral, e suas marcas ainda podem ser vistas nas portas.




Os tickets para visita ao Duomo podem ser comprados com antecedência pelo site, mas os nossos foram adquiridos na hora, nessa época do ano não tem fila. Existem várias opções de ingressos: para visita apenas à catedral, catedral + subterrâneos, catedral + subterrâneos + telhado (com subida de elevador ou de escada - 201 degraus).

Optamos pelo bilhete que dava direito a visitar o interior da igreja, os subterrâneos e o telhado com subida de elevador.

Nunca é demais ressaltar que se trata de uma igreja, então não é permitido o acesso de pessoas vestidas com camisetas regatas ou de alcinhas, mini-saias, blusas muito decotadas, shorts e bermudas.

Além, disso, é feita revista rigorosa na entrada, não é permitido entrar com objetos de vidro, capacetes, e outros itens (verificar no site oficial quais itens estão proibidos, isso pode variar). Bolsas são revistadas e mochilas não são permitidas.

Duas coisas chamam atenção logo que entramos na catedral. A primeira é o clima sombrio, causado pela pouca iluminação natural fornecida pelas janelas estreitas. A outra é a floresta de enormes colunas perfeitamente alinhadas. São 52 colunas de 24m de altura cada.



O interior é formado por cinco naves, uma central e duas de cada lado e o transepto possui 3 naves.


Outro detalhe que atrai a atenção é a cor do mármore, que é muito mais escuro que o da fachada. Na verdade trata-se do mesmo mármore, mas a parte externa passou por uma limpeza e o interior não. 


Os lindos vitrais foram retirados durante a segunda guerra, juntamente com as estátuas das agulhas, e armazenados no subterrâneo da própria catedral.


O piso com desenhos elaborados em mármore preto, branco e rosa também merece atenção especial.



Observando o piso, podemos notar perto da entrada uma linha de bronze contendo imagens dos signos do zodíaco, terminando na parede da esquerda, com o signo de Capricórnio. Trata-se de um calendário solar, de influência iluminista, instalado em 1776.


Funciona da seguinte maneira: no teto da catedral existe um pequeno furo, por onde entra um raio de sol. Esse raio de sol atinge a linha ao meio-dia, marcando o período do ano.                 

 Fotos: milanofree.it
Entre as estátuas do interior da igreja, tem destaque a de São Bartolomeu, situada à direita do altar. Essa estátua retrata o santo após seu martírio, jogada sobre o ombro do santo, semelhante a um manto, está sua pele, uma vez que o martírio consistiu no esfolamento vivo. É impressionante como os músculos e veias são representados.


Próximo ao altar, podemos observar alguns quadros representando cenas bíblicas, instalados em painéis móveis.


Após a visita ao interior da Catedral, fomos visitar os telhados. Essa visita é imperdível, e vale ser feita mesmo no inverno. 

 O terraço é revestido com o mesmo mármore da fachada

O Duomo possui 135 agulhas, cada uma com uma estátua.


A riqueza de detalhes é impressionante

Arcobotantes conectando os pináculos



No topo da agulha mais alta encontra-se a Madonnina, estátua de Nossa Senhora da Assunção, símbolo da cidade e protetora dos milaneses.



Após a visita ao Duomo pegamos o metrô para retornar ao hotel. Dessa vez o bilhete de 24h não estava mais válido, e compramos bilhetes individuais. Jantamos no hotel.

Orçamento do dia:
Cenacolo Vinciano (comprados antecipadamente): 26,00 €
Gelato Grom: 8,40 €
San Satiro: 1,00 €
Signorvino: 53,90 
Duomo: 45,00 
Metrô (3 bilhetes): 4,50 
TOTAL: 138,80 

FOTOS: Aloísio Dourado